Na Era do Conhecimento

A mente humana – com todos os atributos, potencialidades e mistérios que lhe são reconhecidos – continua a ser um tema sedutor e aberto às mais variadas abordagens (filosóficas, biológicas, neuropsicológicas, etc.). Produto da actividade concertada de grandes aglomerações de células cerebrais altamente especializadas e de um complexo metabolismo que só agora começa a ser compreendido, a mente humana cumpre numerosas funções que se exprimem em diferentes planos.
Graças à evolução bem sucedida do sistema cérebro-mente, a história da Humanidade é um percurso empolgante de conquistas. Em não muitos milhões de anos vencemos uma série de etapas evolutivas e, chegados ao século XXI, eis-nos senhores de uma sociedade multifacetada, complexa e altamente competitiva - produto, afinal, da dinâmica interacção entre o exercício do pensamento e os desafios da vida.
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A história da humanidade reflecte assim, desde os seus primórdios, o resultado da nossa inteligência criativa. Em poucos milénios desbravámos territórios inóspitos e levantámos civilizações. Rapidamente percebemos que tínhamos o poder de exercer transformações no que antes parecia imutável. A criatividade tornou-se a grande força da nossa inteligência. De simples recoletores e caçadores passámos rapidamente a inventores, técnicos e artistas. E com isso modificamos completamente a face do planeta e a história do nosso Mundo.
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Agora, em plena Era do Conhecimento, o intelecto perfila-se como um capital de valor inestimável. Já ninguém duvida que a riqueza das nações, das comunidades e das organizações (seja de que tipo forem) depende mais dos recursos intelectuais – inteligência, criatividade e conhecimento – do que qualquer bem tradicional, incluindo o próprio dinheiro. De facto, a força muscular e o trabalho das máquinas estão rapidamente a ser substituídos pela inteligência.
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O neurofitness tem como finalidade ajudar o cérebro a atingir e a manter o nível de capacidade óptima. Esta disciplina assenta em três princípios fundamentais:
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O cérebro é um órgão que tem a capacidade para se renovar a si mesmo.
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O cérebro tem capacidade ilimitada de aprendizagem e pode aumentar a sua eficiência através do exercício.
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O cérebro responde eficazmente à actividade física, ao treino mental e ao estilo de vida, podendo manter-se ágil durante toda a vida.
Uma característica vital do cérebro é chamada de neuroplasticidade. Aqui reside o segredo do poder mental. A neuroplasticidade (ou plasticidade neural) refere-se à capacidade dos neurónios de se transformarem e adaptarem a sua estrutura e função em resposta às exigências externas e internas do organismo.
De facto, toda a exigência que desafie ou estimule o cérebro (por exemplo, aprender um novo idioma) produz mudanças anatómicas muito significativas a nível celular como o aumento dos dendritos (filamentos que se ramificam a partir do centro da célula para contactarem outros neurónios), o aumento no número de espinhas dendríticas, a formação de novas sinapses (junções especializadas existentes nos neurónios através das quais estes conectam entre si), o aumento da actividade das neuroglias (células que apoiam os neurónios) e alterações no metabolismo celular (transformações químicas que estão no centro do trabalho cerebral).
Existem vários tipos de neuroplasticidade. A primeira, chamada de “neuroplasticidade de desenvolvimento” compreende vários e complexos estágios e realiza-se ao longo da vida dos neurónios a fim de permitir o natural desenvolvimento do cérebro. Outra forma, a chamada “neuroplasticidade dependente da experiência” surge especialmente com novas experiências, desafios e aprendizagem. Dá-se então a chamada expansão do mapa, isto é, a cada nova aprendizagem o cérebro reorganiza-se, expande as suas conexões neurais (de neurónio) e modifica as capacidades, ampliando-as e fixando-as na memória do indivíduo. Há também a “neuroplasticidade após lesão cerebral” que traduz as capacidades de auto-reparação nos tecidos que permanecerem intactos após uma lesão no cérebro. Finalmente, a “neurogénese” diz respeito ao nascimento de novos neurónios no cérebro.
Os exercícios de neurofitness´incentivam a actividade plástica do cérebro, ampliando e reforçando as suas múltiplas aptidões e talentos. É lícito acreditar que um cérebro activo e estimulado por diferentes desafios se revele mais perspicaz, mais hábil e naturalmente mais capaz de responder às solicitações do pensamento.
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Na exigente sociedade de hoje só as pessoas que invistam seriamente no capital intelectual de que dispõem (inteligência, criatividade e conhecimento) poderão aspirar a lugares destacados no mundo do trabalho. Aprender mais e mais e durante toda a vida tornou-se numa exigência da Era do Conhecimento. Para tal temos de estar na melhor forma mental. A “potência cerebral óptima” pode ser atingida através de um estilo de vida sadio, uma alimentação equilibrada e ginástica cerebral adequada.